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Mensagem: Suprimento à Ilha Manoel Hygino Mais duas embarcações chegaram a Cuba. Carregadas de muito do que falta à ilha, elas saíram do México com mantimentos, medicamentos, bens de uso permanente das famílias, roupas, um pouco de combustível para uso doméstico, enfim de tudo aquilo imprescindível ao consumo da população. As duas barcaças tinham desaparecido por um certo número de dias, mas foram novamente localizadas e tomaram o rumo da ilha, em que tudo falta. Enquanto o presidente Trump anuncia que espera a hora de descer no país com seus dispositivos, inclusive militares, os cubanos atravessam um dos piores períodos de sua história. O cientista político Antônio Rangel Bandeira, revolucionário dos anos rebeldes do regime militar brasileiro, publicou livro em que analisa os anos de um regime militar, em nome da liberdade, mas construiu um Estado policial e transformou a utopia da geração de 68 num “pesadelo”, na expressão de Alina Revuelta, filha de Fidel. Na Ilha, todos temem a invasão e domínio de Tio Sam, depois de décadas de embargo econômico. O escritor Leonardo Padura confessou: “Tudo pode acontecer. Vou ficando velho e sou cada vez mais cético em relação ao futuro, não apenas do meu país, mas do mundo. O que ocorre agora mesmo com a política econômica e social dos Estados Unidos, a prepotência russa, o crescimento do macabro modelo chinês, o avanço descontrolado de mecanismos como a inteligência artificial me faz temer muito pelo futuro. O que será de mim daqui a dez anos? Onde estarei? Como serão Cuba e o resto do mundo? Tudo está por um fio. Lamentavelmente, não temos capacidade para combater os poderes destrutivos que se impõem com seu poder, sua força... e sua esquizofrenia”. Padura, que viveu a vida inteira em Havana, já sente o pior: “E sentir-se alheio, estranho, excluído, forasteiro no meio mais próprio. É ver a cidade com distância sentimental, sentir que já não é a mesma e que vai deixando de me pertencer ou eu vou deixando de pertencer a ela, e é uma reação dolorosa para alguém que nasceu, vive e escreve na cidade e pela cidade. Sei que as cidades mudam com o tempo, pois são seres vivos”. Que será de Cuba, eis a questão. Que será de Havana? Pablo Neruda, chileno, poeta, comunista confesso e convicto. Segundo ele, a Revolução Cubana representou um brusco despertar para milhões de sul-americanos, algo inédito na história de um continente acostumado a viver apenas da esperança. De lá para cá, esmaeceu a esperança. Cuba é ainda apenas um sonho de esperança. O comunismo destruiu sonhos e confiança no porvir.
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